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Publicado em 09/12/2021

Dia do Alcoólico Recuperado – uma história de superação, luta e autocuidado

Em 1980, o Dia do Alcoólico Recuperado foi instituído na cidade de São Paulo através de um decreto municipal. A data acabou se tornando nacional, com o objetivo de promover a mobilização e conscientização a respeito do alcoolismo e de sua recuperação.

O consumo abusivo de álcool (assim como das demais drogas lícitas e ilícitas) está presente em todos os contextos sociais, assim como nas distintas faixas etárias. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o consumo de álcool pode causar mais de 200 doenças e lesões. 

O abuso da droga também está associado ao risco de desenvolvimento de problemas de saúde, tais como distúrbios mentais e comportamentais, incluindo dependência, doenças não transmissíveis graves, como cirrose hepática, alguns tipos de câncer e doenças cardiovasculares, bem como lesões resultantes de violência e acidentes de trânsito.

Vale ressaltar que, além dos problemas de saúde, os problemas sociais também estão inclusos quando se trata das consequências do vício. Entre eles, pode-se citar o desemprego, rompimento de vínculos familiares, violência doméstica, entre outros.

A história por trás do álcool

Thyago Grassi, que foi acolhido por uma das Repúblicas de Proteção Social do Programa Recomeço, do Governo do Estado, não faz mais o uso do álcool há cerca de nove meses. Ele compartilhou sua história, para que possa inspirar e tocar quem está enfrentando o mesmo.

“A história dos usuários e alcoólatras só muda de endereço. Eu iniciei no álcool e cigarro aos 10 anos de idade, mas aos oito anos, tive um coma alcoólico. Meu pai tinha bebida em casa e de curioso, pensei ‘vou ver como é ficar bêbado’ e foi assim minha primeira experiência”, relembra Thyago.

A partir deste momento, sua compulsão por álcool começou a crescer. Ele conta que gostava da sensação que aquilo causava e isso foi se tornando cada vez mais frequente, com Thiago bebendo escondido de seus pais.

Perdas e consequência

Além das consequências para a saúde, o uso abusivo do álcool provoca perdas sociais e econômicas significativas para os indivíduos e para a sociedade em geral. “Eu tenho um filho de 23 anos e uma filha de 19 anos. Eles sempre estiveram comigo, mas eu estava constantemente fazendo tudo escondido, até que eu cheguei no fundo do poço e foi quando fui parar na rua. Perdi casamento, perdi minha família, que estava cansada de tentar me ajudar e não ver resultado”, conta Thyago.

Na rua, o uso de álcool aumentou muito e foi onde ele ficou por quase sete anos. Thyago relata que chegou a procurar ajuda anteriormente, mas para cuidar de sua saúde física. Assim que se sentia melhor, voltava para a vida junto com o álcool.

“Eu não sabia que eu tinha uma doença que afetava meu comportamento. E foi só na minha última internação que eu procurei entender melhor isso, o que o álcool estava causando em mim. Infelizmente foi por meio da dor que eu aprendi sobre os perigos”.

“Eu sou responsável pela minha recuperação”

Para a sua superação da dependência química, é necessário um atendimento multidisciplinar, unindo recursos de médicos, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e outros especialistas, além de contar com a vontade do usuário.

Sobre isso, Thyago conta: “Quando um usuário não quer sair do vício, ele não sai e não importa o que aconteça. Eu tive que tomar consciência que a bebida estava acabando com a minha vida. Eu percebi também que tinha coisas melhores para mim e eu me permiti ser ajudado, primeiro por mim mesmo e pelo meu próximo também”.

Hoje Thyago é escultor, porteiro e jardineiro, e está retomando os laços com sua família. Ele reconhece que o álcool não afeta apenas o usuário, mas quem está ao redor também.

“Eu estou há quase nove meses sem fazer o uso do álcool e agora sinto como se estivesse aprendendo a viver limpo. São novos sentimentos e uma nova maneira de viver, já que fiz o uso por 35 anos. Estou feliz comigo mesmo, as coisas estão fluindo bem e estão aparecendo boas oportunidades no meu caminho. Quero, cada vez mais, ver o mundo com outros olhos, com o olhar da sobriedade e mente aberta”, finaliza.