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Janeiro Branco: Como fica a saúde mental durante a pandemia?

Desde o início da pandemia da Covid-19, questões associadas à saúde mental passaram a ser pautas constantes. Fadiga pandêmica é a terminologia adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para designar o cansaço e o esgotamento físico e mental provocados por essa crise sanitária.

O isolamento social, e a crise financeira e de saúde são alguns dos fatores que levam a preocupação com a saúde mental da população. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), entretanto, adverte que nem todos os problemas psicológicos apresentados podem ser qualificados como doenças, podendo ser reações normais diante a crise pandêmica.

Ainda assim, é importante destacar e estar alerta que tal fadiga, segundo a OMS, pode gerar ansiedade, depressão e insônia, mesmo em quem não apresenta qualquer tendência. Neste contexto, a campanha Janeiro Branco, que trata sobre saúde mental, ganhou notoriedade nos últimos anos, assumindo ainda mais relevância.

Dados analisados pelo documento Strengthening mental health responses to COVID-19 in the Americas: A health policy analysis and recommendations, publicado na revista The Lancet Regional Health – Américas, ​​mostram que mais de quatro em cada 10 brasileiros tiveram problemas de ansiedade; os sintomas de depressão aumentaram cinco vezes no Peru; e a proporção de canadenses que relataram altos níveis de ansiedade quadruplicou como resultado da pandemia.

Cuidados e recomendações

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou uma cartilha de recomendações para o enfrentamento dos desafios relacionados à saúde mental. Nela, a Fundação especifica as reações mais frequentes durante a pandemia. São elas: o medo de adoecer e morrer; perder as pessoas que amam; perder os meios de subsistência ou não poder trabalhar durante o isolamento e ser demitido; ser excluído socialmente por estar associado à doença; ser separado de entes queridos e de cuidadores devido ao regime de quarentena; não receber um suporte financeiro; e transmitir o vírus a outras pessoas. 

Também é comum a sensação recorrente de impotência perante os acontecimentos, irritabilidade, angústia e tristeza. Dentre as estratégias de cuidado psíquico nessas situações, a Fiocruz recomenda que a pessoa afetada reconheça e dê acolhimento a seus receios e medos, procurando pessoas de confiança para conversar; investir em exercícios e ações que auxiliem na redução do nível de estresse agudo, como meditação, leitura, exercícios de respiração, artesanato; estimular ações compartilhadas de cuidado, evocando a sensação de pertencimento social, como as ações solidárias e de cuidado familiar e comunitário.

A Fundação também recomenda que a pessoa mantenha ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas; evite o uso de cigarro, álcool e outras drogas para lidar com as emoções. Se a pessoa estiver trabalhando durante a pandemia, deve ficar atenta a suas necessidades básicas, garantindo pausas durante o trabalho e entre outros turnos.

Mas fica o alerta que caso as estratégias recomendadas não sejam suficientes para o processo de estabilização emocional, é importante buscar auxílio de um profissional para receber orientações específicas.