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Recomeçar a vida longe do álcool e das drogas

Recomeçar a vida longe do álcool e das drogas

Entender os riscos e as consequências do uso abusivo de substâncias psicoativas sobre a saúde dos usuários é um passo de extrema importância para conter os efeitos negativos desse problema e encaminhar essa população para um tratamento adequado e efetivo.

Para isso, as repúblicas de proteção social, que fazem parte do Programa Recomeço, visam acolher, disponibilizar atendimento psicológico, promover qualificação profissional e educação financeira para as pessoas recém saídas de comunidades terapêuticas da rede socioassistencial do Estado de São Paulo.

Para exemplo disso, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, mês em que se comemora o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, reuniu histórias de pessoas que, por meio dessas Repúblicas, tiveram a oportunidade de recomeçar suas vidas longe do perigo do álcool e das drogas.

Conheça as histórias de Anselmo, Edimar e Guilherme

Anselmo Doraciotto, de 38 anos, cogitou voltar a morar na rua mesmo após o início de seu tratamento em uma comunidade terapêutica. O motivo foi a falta de lugar para morar quando terminasse seu tratamento. “Eu não tinha para onde ir, não tinha emprego e meus vínculos familiares estavam rompidos”, conta.

Assim que ficou sabendo da república de proteção social de São José do Rio Preto, região noroeste do estado, o cenário mudou completamente e Anselmo encontrou no local, além de abrigo, a oportunidade de se reerguer.

“O período em que passei na república mudou muito o meu modo de ver as coisas, meus comportamentos e me fez enxergar que eu faço parte da sociedade também, apesar de toda a discriminação que já sofri”, comenta Anselmo.

Nos quatro meses que ele morou na república, ele conseguiu um emprego fixo, alugou uma casa próxima ao local de trabalho e se reconectou com seus familiares. Anselmo recebeu alta terapêutica em janeiro de 2021.

Crescido em Pirassununga, região centro-leste do estado de São Paulo, Edimar da Rocha, de 40 anos, conta que teve uma infância tranquila. Contudo, aos 16 anos, embarcou no mundo das drogas.

Aos 26 anos, seu pai faleceu, levando Edimar a uma dependência química ainda mais intensa e entre os anos de 2014 e 2019, já não conseguia mais trabalhar. Neste mesmo período, seus vínculos familiares ficaram fragilizados e ele passou a morar na rua.

“Eu tive duas filhas enquanto ainda lidava com o vício, mas devido a essa dependência, acabei me afastando”, relata Edimar.

Ainda em 2019, Edimar resolveu procurar tratamento, recorrendo à Comunidade Terapêutica Caminho da Paz, em Ribeirão Preto, região nordeste do estado, onde recebeu o suporte necessário para reorganizar sua vida.

Após seu acolhimento em uma das repúblicas de proteção social, teve uma oportunidade de iniciar em um emprego fixo em um minhocário – local que comercializa minhocas, começou a estabilizar e organizar sua vida financeira, além de ter retomado seus vínculos familiares, especialmente com suas filhas.

“Se eu não tivesse o abrigo da república de Ribeirão Preto, eu teria voltado para a rua e ficaria exposto às drogas novamente e por isso, sou muito grato”, finaliza.

Guilherme Pereira, de 36 anos, morou nas ruas do centro da capital paulista durante quatro meses, entre os anos de 2018 e 2019, após o falecimento de sua mãe.

“Comecei a usar drogas com 14 anos, mas foi nos últimos três anos em que cheguei em um estado degradante do vício, principalmente por não conseguir lidar com o sentimento de perda”, conta Guilherme.

Chegou na Comunidade Terapêutica depois de aceitar o fato que precisava de suporte. “A partir de então, comecei a ter entendimento da doença e reconheci que necessitava fazer algo. Depois do tratamento, queria seguir minha vida e foi me proporcionado um período em uma das repúblicas de proteção social, onde voltei ao convívio social”

Depois de sete meses morando na república de Itapecerica da Serra, Guilherme conta que aprendeu a lidar com sua dependência química, conquistou um trabalho e está no caminho certo para sua independência financeira e pessoal.

Sucesso do Programa Recomeço

Até o final de 2020, o Programa Recomeço acolheu mais de 26 mil pessoas. Quase sessenta por cento do público do programa continua em abstinência após deixar o programa, é o que apontam pesquisas realizadas pela própria secretaria.

“O Programa Recomeço no Estado de São Paulo é a materialização da transversalidade da política sobre drogas. Dessa forma, o serviço de acolhimento em repúblicas é uma resposta do estado de reintegração social baseada na autonomia e mobilidade social de pessoas com problemas decorrentes do uso de substâncias psicoativas. O nosso foco é a construção de “Projetos de Vidas” voltados à autossustentabilidade seja pelo empreendedorismo, cooperativismo ou inclusão no mercado de emprego e no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários”, conta Paulo Bonfim, Diretor do Núcleo de Acolhimento e Reintegração Social.

O projeto de República de Proteção Social prevê a instalação de unidades em todas as cidades polos do Estado de São Paulo.