A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) formalizou uma parceria estratégica com o PNUD, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, visando fortalecimento das Capacidades Institucionais da pasta para a implementação do Programa SuperAção SP, programa que pretende retirar 105 mil famílias da situação de pobreza até 2027.
O acordo, que prevê investimento de R$ 20,1 milhões ao longo de três anos, coloca o estado na vanguarda das políticas sociais baseadas em evidências no Brasil e representa um marco na maneira como o país enfrenta a desigualdade social. Além do SuperAção SP, a parceria também engloba o diagnóstico, monitoramento e a avaliação de outras políticas da pasta, como a Política sobre Drogas, a Assistência Social e o Combate à Fome.
A parceria com o braço de desenvolvimento da ONU trata-se de um compromisso com a excelência, a transparência e resultados mensuráveis. Assim, o SuperAção SP adotará metodologias internacionalmente testadas para promover a autonomia econômica das famílias vulneráveis, com rigor técnico comparável aos melhores programas do mundo, como o exitoso modelo chileno Chile Solidário, considerado referência mundial.
"Estamos trazendo para o estado o DNA dos programas mais exitosos do mundo no combate à pobreza. É como ter os melhores especialistas mundiais trabalhando conosco para garantir que cada real investido se transforme em resultado concreto na vida das famílias paulistas", explica a secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém.
Operando em 170 países e territórios, a instituição acumulou expertise única em transformar políticas públicas em programas efetivos de inclusão produtiva que efetivamente tiram pessoas da pobreza de forma sustentável. No Brasil, possui credenciais robustas: é responsável por ferramentas essenciais como o Atlas do Desenvolvimento Humano.
A atuação do PNUD no SuperAção SP e nas demais políticas da SEDS se concentrará em três pilares estratégicos, cada um desenhado para maximizar as chances de sucesso do programa.
O primeiro envolve a aplicação de metodologias comprovadas internacionalmente, combinada com inovações tecnológicas locais, como o sistema SIGMA, plataforma digital desenvolvida pelo governo paulista que centraliza todo o monitoramento das famílias atendidas em tempo real.
O segundo representa uma revolução na forma como políticas sociais são acompanhadas no Brasil: ao contrário de programas tradicionais que apenas contam beneficiários, cada família terá acompanhamento individual por técnicos especializados ao longo de dois anos, com indicadores robustos para medir não apenas quantas famílias foram atendidas, mas quantas efetivamente alcançaram a autonomia financeira.
O terceiro pilar garante que tudo seja feito com transparência, por meio de auditorias externas independentes, avaliações periódicas conduzidas por especialistas e relatórios públicos de progresso.

Implementação
A implementação desses pilares já ganhou contornos concretos: nesta quinta (16) e sexta-feira (17), a SEDS e o PNUD se reúnem presencialmente para fortalecer a coordenação técnica e administrativa do projeto BRA/25/021, reunindo a equipe da secretaria e demais atores envolvidos na execução da parceria.
O diferencial do SuperAção SP está em sua abordagem multidimensional, que reconhece a pobreza como um fenômeno complexo que exige soluções igualmente sofisticadas. Além de auxílios financeiros progressivos e estrategicamente desenhados, o programa oferece acompanhamento familiar personalizado, qualificação profissional alinhada às demandas reais do mundo do trabalho, intermediação para inserção no trabalho formal, apoio estruturado ao empreendedorismo com acesso a microcrédito, além de conexão inteligente com políticas públicas de saúde, educação e habitação.
“A ideia não é tornar famílias dependentes de auxílio, mas sim criar as condições para que elas gerem sua própria renda e construam seu caminho de prosperidade", destaca a secretária Andrezza.
A especialista líder de Desenvolvimento Socioeconômico Inclusivo do PNUD, Luciana Trindade de Aguiar, destaca o papel do uso de evidências e da troca de experiências internacionais para fortalecer políticas públicas. “Dado importa, e trabalhar com evidências é o que diferencia programas que transformam de programas que apenas atendem”, afirma. Segundo ela, a parceria busca trazer soluções já testadas em outros contextos. “Queremos compartilhar as melhores práticas globais, como fizemos na Colômbia, com trilhas de inserção no mercado de trabalho e de empreendedorismo. É exatamente esse tipo de modelo que queremos trazer para ampliar o impacto do SuperAção SP. Nossa equipe está muito empolgada com essa parceria”, ressalta.
O SuperAção SP está formalmente alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, sobretudo nos quesitos erradicação da pobreza e redução das desigualdades. Esse alinhamento não é apenas simbólico: abre portas concretas para futuras parcerias com organismos multilaterais de financiamento, facilita o intercâmbio de experiências com outros estados e países e coloca São Paulo no mapa global das políticas sociais inovadoras.
O interesse internacional no programa já é concreto. Além do PNUD, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) também realizará um aporte financeiro adicional de US$ 100 milhões para prover apoio técnico e estratégico, produzir estudos, avaliação de impacto e acompanhamento constante dos resultados ao longo da iniciativa. É o reconhecimento de que São Paulo está fazendo algo que funciona e tem o potencial de se tornar referência no país e no mundo.
É importante esclarecer que os R$ 20,1 milhões da parceria com o PNUD não são recursos para benefícios diretos às famílias. Esse valor representa investimento em capacitação institucional e metodológica, visando o funcionamento do programa de forma eficiente e sustentável. O objetivo é fortalecer as capacidades da SEDS e dos municípios participantes, criando uma estrutura robusta que perdure muito além da duração do projeto — com capacitação intensiva de servidores estaduais e municipais, desenvolvimento de sistemas de informação integrados, criação de protocolos e manuais operacionais detalhados e estruturação de mecanismos permanentes de monitoramento e avaliação baseados em evidências.
A parceria com o PNUD também inclui a produção de estudos e análises aprofundadas sobre a pobreza multidimensional nos diferentes territórios paulistas e prevê intercâmbio ativo de experiências com outros países e estados.